O discurso da vitória do Lula
Hoje vou tentar fazer uma análise de pontos específicos do discurso de vitória do Lula que tem a ver com tecnologia e soberania e no processo recomendar material aqui no canal para entendermos, criticarmos e propormos complementos ao seus planos.
Veja também no canal:
- Transcrição inteira: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/25/leia-na-integra-o-discurso-de-lula-apos-a-vitoria.ghtm
Quero agradecer à sociedade como um todo, o que venceu, na verdade. Essa eleição foi uma eleição em que venceu a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande porte, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país. E tentando direcionar o resultado eleitoral para esse país.
- Essa foi a eleição que deixou claro como funciona a interferência eleitoral das big techs para um público mais amplo.
- Elas fazem isso desde sempre em todos os assuntos e por diversas vezes nós denunciamos isso
- Por exemplo rolou uma manipulação pesada quando se cogitada votar a PL 2630 e regulamentar as redes
- Nós precisamos pautar a regulamentação correta das redes sociais:
- O poder deles não vem do software, infraestrutura e tecnologia
- O poder vem do espaço social que elas são permitidas ocupar: discussões, debates, jornalismo, vendas, entretenimento. As pessoas vão realizar essas atividades públicas nesses espaços privados
- Uma regulamentação deve obrigá-las a manejar esse espaço com responsabilidade, transparência, seguindo leis e etc…
- MAS mais importante ela deve passar por RETIRAR esse espaço da mão dessas plataformas e eu sugiro 3 frentes:
- regulação e limitação do poder das plataformas
- incentivo à criação de plataformas digitais nacionais e/ou independentes
- remoção e/ou proibição de atividades chave de dentro dessas plataformas: por ex. como o pix nos salvou de depender de uma plataforma de pagamentos da Meta
- Sugestão de vídeo falando sobre a regulamentação das big techs e como isso pode “dar errado”
- Quanto à criação e fomento de plataformas brasileiras, isso precisa ser melhor discutido em um vídeo futuro. Mas saibam que já faz alguns anos que uma comunidade muito grande vem pensando nisso e fazendo esse trabalho de forma independente:
- Por exemplo o https://onda.social , https://organica.social feitas no fediverso
- Poosting, Yorgute, Voante, Papo Legal são redes sociais proprietárias num modelo mais “tradicional”
- Existem alguns serviços de mais gerais de infra estrutura e mensagens como o https://isacloud.com.br/
Eu quero agradecer esse companheiro aqui, o Janones nosso, que teve um papel geral inicial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa. E quero dizer que uma coisa que aprendi. Eu não vou falar aqui para vocês. Mas essas eleições me ensinaram muitas lições, muitas lições. Eu posso garantir para vocês que vamos mudar o jeito de governar país. Quero dizer para vocês que vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões . E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo. Eu, inclusive, já ganhei um celular do meu comandante Rafael, governador do Piauí. Já estou aprendendo a conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente.
- Embora a campanha do segundo turno tenha sido muito pautada nas redes sociais e utilização de táticas ‘de guerrilha’ digitais, ela realmente foi decidida pela mobilização social que foi muito além da tela:
https://agenda-mobilizacoes.participa.workers.dev/calendario
- Na última semana antes da eleição nós tivemos atos diariamente, centros e ruas das maiores cidades do Brasil enquanto o outro lado não conseguia nem 50 idosos com camiseta do Brasil para ir ver o mitinho dançar funk com Zucco e Sérgio Moro
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Embora os Bolsonaristas e seu general Nikolas Ferreira tentem emplacar a narrativa de que houve fraude é difícil discutir com o poder de mobilização real. A campanha não foi só do PT, muita gente se mexeu e se mobilizou pra impedir que os Bolsonaros ganhassem.
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Quanto à comunicação digital, temos uma disputa de táticas que ficou mais clara nessa campanha:
- O estilo tradicional de criar conteúdo e atuar de forma militante sem se preocupar muito com as tendências. Crescer uma base lentamente e de maneira fiel.
- O estilo de ‘ocupar todos os espaços’. Ir em podcasts, debates, comentar assuntos polêmicos ou tangentes à política para atrair o maior número de olhos para o seu projeto político
- O estilo ‘Janones’ que usou da disciplina “militar” para manipular o algoritmo e usá-lo especificamente como uma ferramenta de divulgação
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O que nós militantes podemos aprender e retirar dessas situação? Eu ainda não sei. Isso é um chamado para a reflexão.
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O que um quarto mandato do Lula poderia fazer diferente baseado nisso?
- É possível manter a ‘disciplina’ de um ‘exército do Lula’ depois das eleições?
- Precisamos depender de um canal do Zap de informes para isso?
Porque eu não quero ficar dependendo da inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira. Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável, para trazer para cá os data centers necessários para acumular também os nossos dados para o Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos data centers para as informações brasileiras.
…
Queremos fazer desse país um país que pare de ser um país vivo de desenvolvimento e se transforme no país desenvolvido. Como diria o Rafael, muito investimento na economia digital, na economia verde e na economia criativa.
- Sobre a questão dos data centers essa é a parte do projeto que eu menos concordo e eu fiz alguns vídeos sobre, mas esse aqui é uma boa síntese:
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Eu acho que devemos construir data centers NOSSOS e para sanar as nossas necessidades tecnológicas e não apenas para sermos um “exportador” de energia elétrica barata que alimenta a especulação da bolha da IA.
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O discurso de desenvolvimento da engenharia no Brasil e criação de uma “IA brasileira” é genérico, mas pode ser interessante dependendo da maneira que for desenvolvido. Ele pode dar uma razão para a construção desses data centers, por exemplo.
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Uma “IA brasileira” é um conceito que pode ter diversos significados e muitos projetos de empresas e universidades que correram na frente são fine tunings ou modelos “brinquedo” baseado em dados da língua portuguesa ou cultura brasileira.
https://github.com/Fundacao-BRAI/awesome-brazilian-ai
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Esse é um assunto que precisa ser falado por especialistas, o que eu não sou, e vai muito além da superfície que o discurso sugere. Dizer “eu não quero IA dos EUA nem da China” me lembra muito o que eu ouvi de europeus que rejeitam big techs dos EUA, mas não usam nenhum modelo aberto Chinês porque “China”.
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isso é uma coisa bizarra e os exemplos de pesquisa com modelos chineses no Brasil e no mundo são muito promissores. Me parece que a última pessoa que falou com o Lula foi algum europeu safado e que ele precisa de alguém que entenda um pouco mais aconselhando.
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Outra coisa importante é que a gente precisa de uma comunidade de pesquisa, empresas e infra estrutura tecnológica que vai muito além do modelo:
- Privacidade e soberania dos nossos dados e pesquisas
- Acesso a processamento, modelos e ferramentas fora do ecossistema das big techs
- Armazenamento de dados, conectividade, acesso a ferramentas digitais de maneira soberana
- Isso é o que precisa puxar o desenvolvimento de centros de pesquisa, data centers, compra de componentes e não o contrário
- O plano dos liberais para data centers é meio: “precisamos crescer o bolo de data centers e daí a economia toda vai crescer” e isso convenientemente não nos desenvolve e cria data centers baratos pra gringo
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No geral é isso, como eu disse esse vídeo é um resumo de vários assuntos que já falamos, vamos continuar falando e debatendo aqui no canal.