FIOCRUZ perde 98% do espaço que tinha em nuvem da Microsoft

Uma mudança de contrato da nuvem da Microsoft é responsável pela FIOCRUZ perder 98% do espaço que tinha contratado. Soberania digital?

  • Vocês devem lembrar da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz. Especialmente da época da pandemia. É uma instituição brasileira da área da saúde. 

https://fiocruz.br/

  • Eles têm editora própria, instituição de ensino, pesquisa, laboratórios, estatísticas de saúde, combatem agrotóxicos e batem no agro com muita frequência e com muita pesquisa.

  • É muito importante na história do Brasil, e é um dos dois únicos laboratórios de vacinas pra humanos do país (vacina pra bois tem mais de 30 fábricas).

  • O volume de material digital que eles precisavam dependia de um contrato de 30 petabytes.

  • Eles tinham um contrato com a Microsoft pra acessar esse tanto de armazenamento pro sharepoint, one drive, e-mails e tudo deles.

  • O contrato da Fiocruz assinado em 2024 era com a Brasoftware no valor de 8,6 milhões ao ano. Desses milhões, 4,7 eram de licenças de serviços de educação da Microsoft.

  • No próprio ano de 2024 a Microsoft mudou a política da empresa, provavelmente naquela leva quando o governo Trump foi eleito, e decidiram mudar esses contratos da educação

  • Aí, no ano passado, esse valor do contrato pulou de R$ 8,6 milhões para R$ 11,6 milhões.

  • Essa reportagem do Núcleo Jornalismo levantou que em 2024 o núcleo de TI da Fiocruz já tava preocupado com a dependência desses softwares e a urgência de fazer essas renovações contratuais

    https://nucleo.jor.br/reportagem/2026-03-19-mesmo-com-contrato-milionario-microsoft-reduziu-armazenamento-da-fiocruz-em-98/ 

  • Resumo da ópera: com essas mudanças e os preços caríssimos, o armazenamento deles foi de 30 petabytes pra 730 terabytes (redução de 98%)

  • A Fiocruz não é a única afetada por essas políticas

  • As universidades federais do Ceará, a rural de Pernambuco, a do Paraná, todas tiveram problemas com esses contratos com Microsoft e Google também

https://www.digital.ufrpe.br/noticias/reducao-limite-ondrive

https://ufpr.br/agtic/2025/10/06/implementacao-de-novas-cotas-de-armazenamento-no-microsoft-365-a-partir-de-10-10-025-ufpr

  • Além das SEDUCs (secretarias de educação) de SP e GO

  • Tem um site que chama Observatório da Educação Vigiada

    https://educacaovigiada.org.br/pt/mapeamento/americadosul/

  • Que mapeia a dependência dessas bigtechs no setor da educação universitária (e da pesquisa) na América Latina e África

  • E nesse levantamento, 80% das universidades brasileiras dependem de armazenamento da Google ou Microsoft

  • Só o google tá em 71% dos serviços de e-mail delas

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  • No ensino básico esse número cai pra 50% de dependência das GAFAM
  • Mas tudo isso é reflexo de uma falta de estratégia de soberania nacional
  • No ano passado o OP publicou um texto sobre como a Serpro tá dependendo de parceria com essas big techs estrangeiras pra construir a tal “nuvem soberana”

https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/serpro-brasil-esta-vendendo-sua-soberania-digital/

  • E temos vídeo no canal também:
  • O que só contribui pra situações semelhantes a essa da Fiocruz
  • Todos os dados e as pesquisas da Fiocruz, sobre agro inclusive, sobre incidência de doenças, tudo já tava nas mãos das empresas estadunidenses
  • E agora as próprias bases nacionais, supostamente soberanas, vão por esse caminho
  • O que aconteceu foi também um processo de cercamento do capital monopolista
  • Google e Microsoft ofereceram as ferramentas a um custo mais baixo de início, e uma vez que todos estão dependentes, eles controlam o fluxo de dados mas também os preços
  • Aí caberia à estratégia do governo fazer com que houvesse disseminação de uma boa alternativa nacional
  • E essa história toda também aponta pra crises e escassez de armazenamento que a gente já tem visto há um tempo
  • E como uma parte tão grande dos servidores é controlada por um país em guerras eternas, cabe a eles escolher o que vai ou não vai caber na internet do futuro de acordo com os interesses deles mesmos
  • E tudo tem apontado pra priorizar tecnologias e dados de guerra mesmo e, obviamente, colocar educação de país subalterno em segundo plano
  • Ainda mais se essa educação for minimamente subversiva ao capital
  • Então eu pergunto pra vocês: pra quem vai ser restrita a internet no futuro próximo?