Demissão em massa no Mercado Livre
No dia 8 de Janeiro de 2026 o Mercado Livre demitiu aproximadamente 120 trabalhadores do setor de UX na América Latina inteira.
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O Mercado Livre demitiu 119 funcionários na América Latina, sendo 38 no Brasil, com o avanço da tecnologia e integração da inteligência artificial (IA) em processos da empresa. As demissões ocorreram na última quinta-feira, 8, quando os funcionários foram chamados para reuniões de última hora.
Em nota, a companhia informou que está "evoluindo os perfis" na área de experiência do usuário (UX), para ser integrada "de forma mais eficaz" com as áreas de design e conteúdo e "fomentar estruturas mais ágeis e colaborativas"
O que dizem os trabalhadores:
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No meio da tarde do dia 8 as pessoas começaram a ser chamadas para aquela famosa 'reunião' e foram apresentadas com um vídeo institucional falando sobre a demissão.
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Após a demissão, foi enviado um e-mail com uma “proposta de acordo” que consiste em 2 salários brutos e o valor referente a 3 meses de extensão do plano de saúde
- Acordo de "cala a boca": a pessoa fica impedida a partir da assinatura, de realizar qualquer questionamento extrajudicial ou judicial sobre qualquer tema relacionado às empresas do grupo econômico do Mercado Livre
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Pessoas que estavam de férias ou licença médica no dia 08/01 estão sendo demitidas e recebendo a proposta de acordo no seu retorno. É possível inferir que o número de 119 pessoas está subestimado
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O ML se recusa a negociar com o Sindpd-SC sobre o acordo e o sindicato não utiliza recursos extrajudiciais ou provoca o MPT-SC para pressionar a empresa.
O que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2026 foi a oficialização do fim do setor de Conteúdo da empresa anunciando às pessoas que permanecem contratadas na área de UX que até os nomes dos cargos seriam alterados, o que realmente aconteceu no dia 14 de janeiro de 2026 (menos de uma semana depois). O anúncio foi feito pela chefia às pessoas de UX demonstrando, assim, que o próximo passo foi dado na adoção de ferramentas desenvolvidas e testadas também pelas pessoas demitidas com base em Inteligência Artificial para o novo Design System conhecido como Andes X.
O ML segue uma lógica estadunidense de “fazer tecnologia”. Desde 2022, tem estreitado seus laços com acionistas norte-americanos e mexicanos cada vez mais e, com isso, a “cultura da empresa” também tem se transformado, se tornando menos participativa e mais determinista, com top-downs constantes, retrabalho e cobranças sobre os profissionais de tecnologia.
As demissões vêm a reboque do que se vê internamente desde 2023, quando a empresa começou a promover o Chat GPT e a incentivar que funcionários criassem iniciativas com IA. A partir disso, a escalada foi bastante rápida, chegando em 2025 com cobranças diretas da chefia por utilização diária de várias IAs de mercado, onde os índices de uso de cada funcionário são medidos em tempo real e há até rankings públicos nas redes internas da empresa.
A situação das mulheres:
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Por que isso é importante?
- Nós recentemente vimos o caso do Itaú, do Nubank e outros envolvendo o Mercado Livre. Trabalhadores sendo tratados como números numa planilha, remanejados e silenciados por decisões do alto escalão
- A união dos trabalhadores pode garantir alguns benefícios a mais e uma recissão melhor para os afetados
- Porém mais do que isso, uma classe organizada e pronta para responder à altura esses ataques faz toda a diferença na hora de negociar ou se defender.
- Apoiem a luta dos trabalhadores do Mercado Livre, Itaú, Nubank e pressionem que os sindicatos se posicionem e também apoiem os trabalhadores.
- Quando chegar a sua vez eles estarão do seu lado também.