O ‘browsergate’ do Linkedin
O Linkedin está sendo alvo de uma ação coletiva na União Europeia com relação ao monitoramento de extensões nos navegadores de seus usuários. O grupo Fairlinked lançou a campanha ‘browsergate’
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Primeiro queria dizer que o nome tinha que ter Linkedin no meio, quando eu li essa história eu demorei pra entender o que era, achei que tinha algo a ver com os navegadores terem feito alguma coisa
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Sergundo, queria falar pros cínicos de plantão que vão escrever:
- “Mas todos os sites fazem isso!”
- “Quando você entra na internet você aceita que todos seus dados vazaram”
- “Isso não é notícia”
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Eu não gosto de fazer um vídeo se é só pra apontar pra um negócio e não fazer nada, então esse vídeo vai tentar ser:
- informativo e didático sobre a situação
- explicar a problemática do Linkedin (e sim, de todas as outras) empresas fazerem isso
- indicar como navegadores e sistemas operacionais poderiam bloquear isso
- Será que alguém da ANPD assite o canal? Presta atenção aqui ó
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Outro aspecto importantíssimo é como esses dados são agregados e pra quem eles são vendidos ou compartilhados:
- Micro$oft e seus parceiros
- Persona (já falamos sobre isso antes)
- Uma empresa chamada Human, um grupo de cibersegurança israelense
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Recomendação de vídeo sobre como a agregação de dados funciona para fins comerciais e de vigilância
Como funciona essa detecção?
No momento em que este artigo foi escrito, esse código baixava uma lista de 6.222 produtos de software e forçava a detecção de cada um deles. A varredura cobre extensões com uma base de usuários combinada de aproximadamente 405 milhões de pessoas.
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Quando usuários estão num browser baseado em Chrome (a maioria deles) o Linkedin baixa um script que tenta descobrir as extensões instaladas no navegador ao:
- procurar por extensões que expõe canais de comunicação
- tentar o carregamento de arquivos usados por essas extensões
- verificar modificações comuns que estas extensões fazem no código
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Enquanto o método 1 é uma maneira explicita e esperada das extensões anunciarem sua existência, a 2 e a 3 já extrapolam um limite e talvez navegadores pudessem colocar medidas explícitas para bloquear esse tipo de descoberta.
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Lista de extensões aqui: https://browsergate.eu/extensions/
Como funciona o ‘fingerprinting’
- Toda vez que entramos em um site nós inadvertidamente compartilhamos algumas informações únicas do nosso ambiente:
- Tipo de dispositivo e sistema operacional
- Navegador web e sua versão
- Linguagem do navegador
- Hardware (microfone, câmera, GPU)
- Tamanho da tela
- Opções do navegador (do not track, javascript desligado)
- Cookies
- Extensões
https://amiunique.org/fingerprint
- Cada um desses dados não é tão único, podendo milhões de pessoas terem, por exemplo a mesma versão do navegador que a sua, a mesma resolução de tela.
- Mas juntando alguns deles a probabilidade de que o seu perfil seja único chega a basicamente 100%
Extensões de navegador 🤝 seus hábitos
- Agora a parte prática de como essas empresas podem usar isso. Assuma que elas tem:
- Sua identidade e histórico de emprego (Linkedin)
- O fingerprint do seu navegador e cookies
- Partes do seu histórico de navegação, propagandas, informações de redes sociais
- As suas extensões de navegador, que também revelam:
- Opiniões políticas dos usuários, por meio de extensões como “Anti-woke”, “Anti-Zionist Tag” e “No more Musk”
- Crenças religiosas, por meio de extensões como “PordaAI” (desfocar conteúdo haram) e “Deen Shield” (bloqueia sites haram)
- Deficiência e neurodivergência, através de extensões como “simplify” (para usuários neurodivergentes)
- Situação empregatícia, por meio de 509 extensões de busca de emprego que revelam quem está procurando trabalho na própria plataforma onde seu empregador atual pode ver seu perfil
- Segredos comerciais de milhões de empresas, mapeando quais organizações usam quais produtos concorrentes, da Apollo ao ZoomInfo
- Como isso poderia ajudar na venda de produtos? Exposição a conteúdo nas redes sociais? Vigilância de regimes autoritários
Alou ANPD!!!
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Se uma coisa é ilegal na Europa, não necessariamente é ilegal no Brasil, MAS eu tenho certeza que se olhar com carinho dá pra encontrar diversos problemas com essas práticas do Linkedin aqui
- E de novo, não são só eles
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Os adevogados aí do xét poderiam olhar isso hein? De repente a gente faz um documentinho pra mandar pra ANPD ou outras agências reguladoras
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Enfim, espero que tenham entendido o problema e aprendido alguma coisa no caminho. Nos vemos na próxima.