Uma economia de extração de conhecimento
A pior pessoa que eu conheço fez uma explicação excelente. Hoje vamos falar sobre a crítica de Alex Karp da Palantir aos laboratórios de IA e o que devemos tirar dela.
- Esse vídeo é uma reflexão baseada nessos outros 2 vídeos:
- No primeiro vídeo o the primeagen está comentando uma entrevista que Alex Karp da Palantir deu pra CNBC
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E é total aquele negócio: pior pessoa que você conhece acabou de fazer um ponto excelente
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Primeiro ele xinga o token maxxing (duh) e depois fala que o real modelo de negócio dos laboratórios privados de IA é a extração de dados do seu negócio. E as empresas estão revelando pra eles o seu ‘diferencial’
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Pode ter certeza que se a Palantir fala isso não é porque ele é altruísta e quer o bem das outras “empresas norte americanas”, mas por que eles mesmo estão de olho nos dados dos seus usuários (governos de todo o mundo como o do FNDE no Brasil) pensando em como eles podem usar esses dados.
- Não é só para nos invadir ou dominar o Brasil tecnologicamente
- É para construir versões privadas das estruturas governamentais que a integram
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Outra coisa curiosa é ele falando que os CEOs não são honestos como ele porque senão o que eles dizem é repercutido na internet pelos “doidinho neurodivergentes que aparentemente são também drogados, a única coisa que eu não sou”
- Eu achei isso muito específico porque pra mim o Alex Karp está 100% sob a influência de algumas substâncias
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A frase mais impactante é: “se esses modelos são um negócio de bilhão de dólar porque você vende os tokens e não o negócio de bilhão?”
- Parecido com o coach de empreendedorismo que tem como maior parte da sua rende a venda de cursos e palestras de como empreender
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Mas voltando pro vídeo do Primeagen ele dá 2 exemplos de como a Anthropic usa a sua posição privilegiada como “frontier AI lab” para posicionar melhor os seus produtos no mercado:
- ClaudeCode construído com os dados do Cursor
- ClaudeDesign construído com os dados do Figma
- Termos de serviço que proibem a construção de produtos que compitam com a Anthropic
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E sobre o segundo vídeo e como ele se encaixa. Nesse vídeo eles descrevem o trabalho dos data workers. Pessoas que criam conteúdo e conhecimento para o treinamento de modelos de IA
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O que é interessante é eles fazerem a ligação desse mercado com pessoas “bem capacitadas”. Especialistas, profissionais formados nas suas áreas, porém em dificuldades financeiras, muitas vezes em países passando por crises econômicas ou com poucas oportunidades de emprego.
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Essas pessoas encontram no treinamento dos modelos, na venda estruturada do seu conhecimento uma alternativa para a falta de sustento no seu país
- O canal é gringo e eles entrevistam pessoas nos EUA, mas pode ter certeza que isso inclusive chegou depois lá
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Então se cria um ciclo vicioso:
- Economia periférica em crise → Profissionais qualificados desempregados → Data work para as metrópoles → IA é usada para precarizar os empregos → Economia periférica em crise
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No final o desenvolvimento que é capitaneado pelos grandes laboratórios de IA nos EUA funciona como um modelo extrativista do nosso trabalho e nosso conhecimento
- Olá capitalismo meu velho amigo
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É inaceitável ter como plano ‘adoção de ferramentas modernas de IA’ sem uma ideia sobre soberania e controle dos nossos dados (eu não acredito que concordei com o Taika Waititi do mundo invertido)
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E é por isso que a discussão vai muito além do “usar bem essas ferramentas” ou “a IA não é boa nem má, depende do propósito”
- Existe uma cadeia de exploração global onde o Brasil está inserido… se chama imperialismo
- A IA proprietária e a sua adoção para automação é apenas uma peça, embora seja essencial
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Pra finalizar eu vou trazer a frase que até hoje eu não acredito que o Sam Altman falou:
Vislumbramos um futuro em que a inteligência seja um serviço de utilidade pública, como eletricidade ou água, e as pessoas a adquiram de nós com base no consumo medido.
- O futuro é realmente “automatizar” a nossa inteligência e comprar ela de Sam Altman, Dario Amodei e Alex Karp?