O que é preciso para ter um smart phone “abertolivre” de verdade?

Desde o vídeo de ontém, onde falamos sobre o MSG Gov, eu fiquei me perguntando tudo que falta para um aplicativo “soberano” num telefone Android. Esse vídeo é uma discussão inicial sobre.

  • Além disso o Google está no processo de implementar a sua nova política de cadastro de desenvolvedores e mais restrições na distribuição de apps:

https://keepandroidopen.org/

  • Então quem sabe EU poderia fazer uma pesquisa e achar uma maneira de usar o meu telefone sem Android / sem Google?

  • Com certeza o “Android” (na realidade AOSP) aberto que a gente mais ouve falar é o GrapheneOS

https://grapheneos.org/

  • Mas na realidade existem dezenas de distribuições alternativas além do GrapheneOS. Por exemplo: OpenHarmony, Murena, SailOS, LineageOS e muito outros (nem tudo é o mesmo tipo de coisa)

  • Porém migrar para usar um sistema desses não é nada trivial (é bem nostálgico porque me lembra de migrar pra usar um Linux a uns ~15 anos atrás)

Dificuldades que temos pelos caminho:

  • Partes do sistema operacional que não funcionam sem o Google ou um terceiro entranhado no sistema:

    • Aplicativos “padrão” como mapas, emails, tradução e etc… dependem do Google, fabricante ou serviços externos
    • Distribuição, autenticação e validação de APKs
    • Notificações push
    • Drivers, firmwares, qualquer tipo de interação proprietária com hardware
  • A maior parte das soluções que existem vão falhar em algum ponto específico ou só conseguem fazer todo o necessário em algum hardware muito específico…

  • Além disso, temos uma resistência institucional, por motivo de “segurança”, em homologar aplicativos como por exemplo de bancos, para funcionarem com root / sem os GMS ou GApps

  • E a legislação contra celulares / dispositivos sem medidas de “segurança”

https://cybernews.com/privacy/atlanta-man-border-search-prosecuted-grapheneos/

Mas isso sou eu como indivíduo…

  • E se a gente tivesse o apoio institucional em conjunto?

    • Se te pedissem para organizar um projeto de “smart phone seguro” da tua empresa
    • Se o estado brasileiro quisesse fazer um “Android 2”
  • Aí a coisa muda um pouco de figura porque não precisamos trabalhar com qualquer hardware, poderíamos fazer uma compra de um específico ou encomendar de algum fabricante

  • Não precisamos trabalhar com o conceito de app store global, mas sim com a necessidade de distribuição interna para uma base de usuários menor

  • Não precisamos de suporte global a aplicativos e serviços, mas apenas aos que são necessários para a tarefa específica.

  • Esse é um escopo que, por exemplo, uma agência do governo poderia trabalhar para uma migração onde realmente usamos apenas o AOSP

  • O foco no trabalho é interessante pra mim. Por mais que odiemos isso, as ferramentas do dia a dia de trabalho modal as nossas preferências fora do trabalho.

    • A adoção voraz da IA em todo o mercado de trabalho é, na minha opinião, o que tem normalizado a aceitação dessas ferramentas no nosso dia a dia
  • Então em conclusão, eu acho que existe uma área enorme a se explorar aqui:

    • Temos dezenas de projetos de OS aberto para celular que podem ser a base para algo assim
    • Temos uma “checklist” de coisas que precisamos implementar ou exigir das big techs
    • Isso pode ser a base para uma legislação para o “desbloqueio” dos aparelhos.
      • “é preciso integrar servidores externos de push, é preciso autenticar aplicativos de lojas externas, é preciso integrar serviços de mapas abertos, etc…”
  • É uma ideia bem inicial, mas acho que se desenvolvermos dá pra imaginar o nosso Brasdroid. O que acham?