Valve e a sua aposta na interoperabilidade
Faz mais ou menos um mês que ficou claro que a Valve vem financiando o projeto Fex e fez um fork do projeto Waydroid. Isso mostra uma aposta pesada na compatibilidade de software e vamos falar hoje sobre isso.
- Recentemente a Valve anunciou o seu novo "PC/videogame" chamado de "Steam Machine" e um óculos de realidade virtual chamado "Steam Frame"
- Steam Machine tem o hardware baseado em x86 e provavelmente custará em torno de U$ 1000
- Steam Frame poderá custar de U$ 500 a U$ 1000
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Uma das partes mais legais (pelo menos para mim) é o foco em rodar seus jogos localmente e usar a Steam Machine e os Steam Frames para o streaming
- Uma espécie de ecossistema de media centers que você controla
- Porém o Steam Frame também é um computador independente, que usa ARM
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E no finalzinho de 2025, tudo ficou mais interessante com uma postagem inocente:
https://fex-emu.com/FEXiversary/
Quero agradecer ao pessoal da Valve por estar aqui desde o início e me permitir dar o pontapé inicial neste projeto. Eles confiaram em mim a responsabilidade de conceber e estruturar o projeto de forma que ele possa funcionar a longo prazo; não apenas para seus casos de uso, mas também para mantê-lo como um projeto aberto que qualquer pessoa pode adaptar para seus próprios casos de uso.
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Isso quer dizer que a Valve está investindo nisso "secretamente" desde 2018 e isso era um 'segredo aberto'!
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O Fex é uma camada de compatibilidade da arquitetura x86 rodando em arm.
- Jogos (e software em geral) que rodam no seu desktop, por exemplo Portal, poderiam rodar num processador de celular
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Além disso, vazamentos do steamdb mostram que a Valve também fez um fork do Waydroid chamado Lepton:
- Jogos (e software em geral) que roda no Android poderia ser rodado num ambiente Linux
- Aparentemente o código ainda não está disponível e eles não contataram os desenvolvedores diretamente
- Isso provavelmente vai permitir que o Frame rode software dos outros óculos VR como o Meta Quest
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Precisamos lembrar do precedente da Valve financiando o Proton (e o Wine) e o DXVK. Esses projetos causaram um impacto imenso na adoção de Linux como uma plataforma de jogos
Conclusões
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A Valve está apostando na interoperabilidade entre diferentes hardwares como estratégia
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A Valve está investindo pesado nos projetos open source que usa.
- Não só como doação, mas contratando desenvolvedores
- Os projetos continuam sendo open source e disponíveis para a comunidade
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As diferentes camadas de compatibilidade permitem a Valve superar esse período de transição estranho do seu hardware (x86 é muito caro e gasta muita energia) dando uma saída para desenvolvedores reaproveitarem seus jogos em diferentes arquiteturas
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Os projetos serem abertos deixa a porta aberta para a competição de outros fabricantes de hardware reutilizarem eles para criação de diferentes produtos
- China, eu estou olhando para você
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Falando em China, esses projetos podem ajudar com a transição que o governo Chinês anunciou para Linux e RISC-V
“if you program and want any longevity to your work, make a game. all else recycles, but people rewrite architectures to keep games alive.”
― Why The Lucky Stiff